sexta-feira, 16 de outubro de 2009

texto Luciana Benaduce

Na exposição Barão 955 apresento três trabalhos Cabine, Cobertores e Fluxo.

Cabine
O projeto Cabine iniciou em 2001 quando fotografava Cabines de segurança pela cidade de SP, com influências dos artistas Bernd and Hilla Becher que utilizam uma linguagem objetiva e frontal através da fotografia industrial, uma forma de documentação artística da arquitetura.
Em 2007 quando fui fotografar um hospital em construção me deparei com uma Cabine de trabalhadores que logo me fez lembrar a minha antiga pesquisa. Resolvi registrar novamente numa maneira de reforçar o projeto anterior. A foto tem alguns elementos que para meu trabalho são importantes. Como o contraste dos materiais madeirite x vidro espelhado, a cor e a questão que é recorrente em meus trabalhos o abrigo x o espaço .
A partir da fotografia resolvi ampliar a pesquisa e abrir novas camadas de significação dela para o objeto. Apresentar uma materialidade das fotos sem as reproduzir literalmente. Sendo assim a foto mais a instalação dos materiais uma ao lado da outra propõe uma reflexão sobre a consciência da escala e da relação do espaço entre sujeito e o objeto. Essa relação abre novas possibilidades de ver o objeto, dependendo de onde o observador e o objeto estão. É somente esta distância entre o objeto e sujeito que cria uma situação mais estendida, a participação física torna-se necessária, promove uma ação corporal.
Cobertores
Já o projeto Cobertores surgiu das minhas caminhadas pelas ruas de SP como uma maneira de vivenciar a cidade . Numa das minhas andanças encontrei um objeto que chamou minha atenção: um arranjo enrolado de manta no chão. A manta possuía uma forma ambígua ora parecia um corpo humano,ora uma trouxa de roupas. Essa ambigüidade do objeto me interessou. A partir de então resolvi documentar com minha câmera fotográfica cobertores encontrados nas ruas de SP. Pensando o cobertor como um objeto de abrigo, de uma “casa própria” e resgatando as obras de fotografias que faço desde 2001, onde os elementos da arquitetura estão sempre presentes. ‘A partir da documentação fotográfica senti a necessidade de expandir o trabalho para o objeto e fazer uma intervenção pública na cidade. A Intervenção ocorreu em dois dias no vale do Anhangabaú em SP.
Fluxo
Desafiar o espaço foi umas das propostas de curadoria da exposição no galpão pensando nisso surgiu o trabalho Fluxo. Pensar os elementos do lugar uma idéia mais ampla da memória daquele espaço que foi a casa da minha família até 1956. No galpão existem muitos pontos de águas amputados do passado mas que vivem no espaço até hoje, após diversas transformações.
Pensando a água como: sustentação,célula,sangue,vida,fluxo,ciclo,transformação me apropriei do objeto caixa d´agua por meio da pintura,fotografia e som.
Dando continuidade a mesma questão dos trabalhos anteriores Hotel, Caixa d´água, Pontes, Catraca,os trabalhos que apresento nessa exposição são assuntos já tratados no passado como o tempo, o espaço e a habitação.

Um comentário:

  1. Luciana, já havia entendido quando assisti o vídeo que seu trabalho "Cobertores" era bastante intrigante e envolvente(não sei se seria esta a palavra correta). Gostei demais. Da caixa d'água, na própria exposição pude conversar com vc. Bastante sutil, de muita sensibilidade. Foto e instalação(me pegou pelas cores) agora com toda a consistência. bjs e parabéns! (Heloísa)

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